segunda-feira, 20 de julho de 2015

Sobre Fé, pessoas e 27.

     


Para mim, que não sigo nenhuma religião nem creio em Deus,  a fé é algo bastante singular mas não menos importante.Eu tenho fé no homem. Digo homem não em gênero, mas enquanto ser humano. Fé no poder transformador destes sujeitos biopsicosociais. 

Desta forma, como se pode imaginar, vivo algo meio politeísta e em contato diário com esses seres divinos.Porém sagrado mesmo são quando estas pessoas através de atitudes atingem os pequenos milagres do cotidiano.

Essa semana para minha felicidade e reforçar minha crença, testemunhei alguns.Não irei narra-los porque não pretendo converter ninguém a seguir a minha "religião". Sendo assim, ao invés de buscar a catequese contando as cenas,  apenas deixo a sugestão de estar atento. Olhos e peito abertos. 

Nos versos da Luiza Romão, no barulho dos ages and ages, nas pegadas do Tim Tim... a semana foi de descobertas.Talvez antes do retiro já tenha tido o material para a reflexão que mais queria.  O sinal tocar não significa que temos que parar.

Como alguém me pediu sussurrando no início da semana, "pensa em nós". Pode ter certeza, nosso segredo: pensarei em todos os seres celestiais que estão por aí me ajudando a crer, mesmo sem saberem. 

Ao invés de uma palavra ritualista, minha oração termina com um obrigado. Menos ascento e a religião seria melhor.  Trocar o amém para o amem. 


Meu aniversário é semana que vem, mas já ganhei uma boa hidratação no olhar como presentes essa semana. Certamente me ajuda a enxergar de forma mais límpida. 

     Embora historiador, não gosto de datas. Talvez justamente por isso não goste! Mas na real, nunca gostei. Sempre as troquei, confundo, esqueço....  provável que estudar história tenha me feito é entender um pouco mais o porque não simpatizo com elas. O que importa é o processo! Gravamos que 22 de abril foi a descoberta do Brasil. (Mas “descoberta”? e o europeu só chegou aqui em 1500? Que nada. E aqui era já o Brasil? Hã!) Mas ao invés de pensar sobre todas as implicações, muitas vezes ficávamos parados no ato de gravar 22 de abril de 1500. 

13 de maio e abolição da escravidão? Mas por que? Bondade da princesa Isabel? Todos aboliram juntos? E o que os escravos fizeram? Relação revolta da vacina, periferia, atualidade, cotas? Não, não, 13 de maio de 1888.

      7 de setembro de 1822 e a independência! Mas o país se tornou independente de quem? Dom Pedro I ficou independente do pai... e Portugal ficou sabendo no mesmo dia da nossa independência deles? Sem briga, assim, de boa? Pra ser no mesmo dia deve ter avisado pelo whats... Ao invés de discutir o que (não)mudou ou então quando nos tornamos independente de fato, lembremos do 7 de setembro de 1822. Não vou falar aqui da proclamação da república de 15 de novembro de 1889 e da população assistindo a tudo bestializada... Paremos! Datas são só datas. Geralmente nem conferem ou praticamente nada tem de relevância no processo.

         Mas isso tudo pra chegar a reflexão que meu aniversário chegou! 27 anos. Caralho! E quando eu me imaginava um tio de 27 anos de pasta, trabalhando em algo chato, sendo pai, tendo uma esposa e fazendo tudo de forma séria? É tão estranho ir ficando velho e ainda dançando a música do caminhão do gás até meu pai ficar bravo. Contar piadas para meu cachorro e morrer rindo quando ele não entende. Ainda ter medo de se perder, tomar vacina, entrar em hospital e prova de matemática. Ainda fingir ser um guitarrista de uma banda de rock no quarto escuro, passar trote, criar planos durante uma semana inteira pra ver que é surreal dominar o mundo...  Ter um quarto cheio de bob esponjas, adorar assistir desenhos animados, brincar com irmã, primos, amigos e até sozinho.

     Fingir no transito que está em uma corrida, chorar no colo da mãe, sentir dor no polegar de tanto jogar vídeo game, se quebrar no skate, futebol, se afogar pegando onda... Tocar lepo lepo no presidio, dançar funk na sala de aula, falar palavrão e ficar medo de ser punido por isso...

Ter 27 anos é ter que fingir mais. 

* Na foto, a festa surpresa desse ano. (sim eles são demais e sim, eles acham que fiz 7 anos) Ótimo estar com meus familiares e amigos. Só depois que percebi que não tirei foto com eles. O que me deixa mais feliz ainda. Estão todos gravados em mim, não na câmera. (tirar foto é gravar o passado pra ver no futuro ao invés de viver o presente) 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Quando a vida imita a arte!

     


    Lembro-me de quando estava no terceiro ano do E.M e de pensar em algumas coisas além de música. Os atributos físicos da minha professora de literatura forçavam-me a prestar atenção na aula e perceber o quão interessante era também a parte abstrata do que se apresentava para mim semanalmente. Lia os clássicos da literatura brasileira com prazer. Lembro-me de ter curtido absurdamente os contos do Machado (em especial o Alienista, um dos mus favoritos até hoje). (Alienista ou alienado? De que lado você está?) Mas foi o Memória póstumas de Bras Cubas que foi impactante e me auxiliou na decisão de fazer história.


     Ficava me imaginando no Brasil do século XIX. Imaginar, viajar, parecia tão fascinante e a história me proporcionaria fazer de forma remunerada o que já fazia o tempo todo. Nessa mesma época lembro-me de ter assistido na linha do tempo. Naquele tempo as locadoras ainda tinham movimento. Lembro-me de na capa do dvd fazer referência ao coração valente, que já tinha gostado bastante no tempo ainda do ensino fundamental. (fiquei uma semana inteira sem aula, só dendo o filme! Melhor semana de aula do fundamental). O fato de ir para o futuro e, sobretudo voltar ao passado me deixou fascinado. O desejo foi se tornando mais real. Por fim, nessa época eu ouvia tudo o que o Raul Seixas me dizia e assisti pela primeira vez um dvd contando a vida do Bob Marley que analisava suas letras e tratava do engajamento em questões sociais. (lembro de dançar no quarto com o violão e ensaiar discursos)

Pronto! A história me deixaria viajar (nos dois sentidos), me permitiria o contato com a arte, me incentivaria a conhecer e transformar a sociedade que eu estava inserido. Claro que outras questões foram importantes na tomada de decisão, mas o filme, o livro, as músicas foram decisivos.

Na época da faculdade lembro-me de ter lido Utopia, assistido Lutero, pro dia nascer feliz e descoberto mais profundamente a vida e a MPB. (lembro-me da sensação de comprar o vinil da tropicália) Mais uma vez fui transformado por estes aspectos artísticos e minha vida tomou um novo rumo. Não a toa minha pesquisa final foi sobre a relação da MPB com a cultura e identidade nacional, buscando através das analises das letras das canções, uma transformação da educação de nosso país. Fui para a pós-graduação em História e Comunicação Brasileira, com ênfase em estudar mais afundo a relação da musica com a nossa identidade.

Após isso, me dediquei a ler mais atentamente as veias abertas da América latina, do Galeano. Na mesma época assisti o diário de motocicleta e fui atrás do diário do Che. Into the wild, on the road foram alguns livros dessa época. Ramil passou a me fazer cia também. Preciso viajar, conhecer outra realidade e vivenciar de fato o que é ser latino!!!! Fui parar fazendo mestrado no Uruguai. (correrias latinas)

Nessa época fui buscando mais o Foucault, o contato com os ditos excluídos dos excluídos, as mazelas, me deparei com o sistema carcerário. É isso! Minha pesquisa de mestrado, meu empenho e energia desde então.

Claro que ao longo de tudo isso, muitos livros, filmes e músicas foram importantes para mim. Estes, porém foram os que puxaram os demais. Estes foram os que fizeram eu conhecer ou despertaram alguma coisa que os demais (muitas vezes melhores, mais importantes e significativos no meu ponto de vista) puderem contribuir e me incentivar ainda mais que os primeiros.

Atualmente, pretendo terminar o mestrado e colocar meus novos planos em prática! Filme, livro e música já tem! Dessa vez a dose de romance e aventura é ainda maior. Mas por hora, ainda me é meio suspense. As vezes penso nele como um final feliz de comédia, outras me bate uma insegurança e medo de terror. Mas preciso tirá-lo de ser ficção. Em breve nos cinemas ou na minha vida. Pela frente, me retiro uma semana pra definir o roteiro.  

* Na foto, a vida e a arte. A vida que vira arte ou a arte de viver. Vivarte: Eu, a Janis, a Vick e a Black.  

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Notas de rodapé

    

    Muitas vezes guardamos o título do livro por achar que ele sintetiza ou explica a obra. Outras vezes pensamos que o primeiro capítulo, como forma de fornecer um contexto e introduzir o assunto, é o suficiente para sabermos o que é tratado. Em alguns casos a sinopse ou a contracapa parecem dar conta do recado. Tem ainda as oportunidades onde lemos o final, como que buscando na conclusão ou última página entender o que aconteceu ou a moral da história. Há também aquele dia que abrimos bem no meio para buscar o âmago ou ápice do livro.

     Mas hoje não quero falar dos livros. Quero falar das notas de roda pé da vida. Não são os títulos luminosos, os grandes finais, a moral da história ou algo assim, mas é um detalhe que por fazer toda a diferença. Muitas vezes muda tudo. Desde o gênero literário, o grau de confiabilidade do escrito até o nosso futuro ou o meu passado.

    Trato aqui como notas de rodapé aqueles momentos micromágicos que vivenciamos e que dificilmente conseguimos esquecer. Não sei por quê. Não sei nem se sou só eu que tenho isso. Posso sofrer de uma doença rara e não sei. Micromomentismoseternos agudo.

     Não são aniversários, nascimentos, mortes ou datas especiais. Pode ser empurrar alguém no balanço em uma tarde de 1997; um abraço na volta das férias de inverno de 2014; uma fala durante um show em setembro de 2009. Uma pulseira, um desenho, um olhar. Sem um motivo que consiga explicar, mexem, ficam, servem. (são verdadeiras lições)

     Talvez seja isso o tal do aprendizado. A hora que cai a ficha, que conecta, que encaixa, que faz sentido. Provável que nenhuma das outras peças saiba o que pensei, senti e as consequências disso até os dias atuais. Essa semana que escrevo posso citar ao menos dois momentos.

     Experiencia em trocar ideias com pessoas de diferentes áreas no palácio do ministério público, viagem até Caxias com especialistas em temas que me interessam muito, debate com estudantes de diferentes opiniões... mas o aprendizado maior foi na observação de uma atitude. Durante o debate, ele silenciosamente pede licença e sai. (ficou bravo? Foi fumar um cigarro? Banheiro?) fiquei no palco nem mais prestando atenção nos colegas debatedores, mas intrigado.

     Em todo auditório, poucas pessoas não se entusiasmaram com o que foi discutido. Encantados em defender a proposta, todos fomos agressivos ao defender nossos argumentos que são facilmente sustentado ao responder as críticas (ou melhor, reclamações. Por não conterem argumentos embasados ou proporem uma alternativa). Em resumo: Um casal foi metralhado por pensar daquela forma, no mínimo incoerente e preconceituosa. (não sei se por ter de ouvir esse discurso quase diariamente, não fiquei chocado com aquela forma de pensar).

     Ele depois de ouvir em silêncio, saiu. Era o que estava mais embasado em discordar daquela aberração, era o que mais tinha argumentos. Ele podia ser ovacionado por todos os demais do auditório. Ele estava lá na rua fria de Caxias explicando melhor para o casal. Talvez o casal não mude de opinião. Talvez nem pense mais no assunto. Talvez todo o esforço, preparação e discussão da palestra fosse nada, a moral estava ali na cerração gelada do estacionamento. Entre ele e o casal.

     O show foi ensaiado. Autorizado. Fez-se set-list. Todos equipamentos em três viagens. Perde trabalho. Mata aula. Cancela jantar. Briga com ela. Negocia com ele. Por favor, porra. Luz, som, gente. Experiencias diversas outra vez. Erros, falta de organização, desrespeito, perdão, respeito, orgulho, humildade. E onde menos vem é que mais se espera? O aprendizado maior não veio em isso tudo.

    Ela, no meio de meus transtornos. No meio de tudo. Aquela fala que era minha. Aquilo que eu digo. Ela reproduziu. Eu identifiquei. Mudou tudo. E quem só ganha perde a honra de chorar. Mas e o que é perder? ganhar? Procurarei meu filósofo do empate. Mas na comemoração esquecemos. A vitória pode cegar e a derrota paralisar. Entre choro e grito, um abraço. O abraço. Meu prêmio. Ali eu tinha derrotado a simples vitória. Empatei. Essas três pessoas nem sequer vão imaginar o que aprendi com elas essa semana. Eu nunca vou esquecer. A gente aprende é nas notas de rodapé. 

* Na foto, a banda tocando um rock and roll no sábado de manhã (no Marista Graças) da semana citada. (algo que gerou algumas notas de rodapé) O negócio é misturar!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Tolerância



Lembro que há alguns anos eu pensei que talvez o conceito que a sociedade mais precisava era a tolerância. Nessa época eu fazia pós-graduação e pesquisava sobre música e cultura brasileira. Trabalhava sobretudo com jovens adultos, onde compartilhava esse olhar para a arte e identidade através dos mais variados debates dentro das ciências humanas.  Porém, me questionava se o termo seria o mais apropriado, uma vez que a crítica, revolução, utopia, m pareciam muito mais uteis para nós todos.

Atualmente, trabalhando com estudantes mais jovens e pesquisando sobre educação não formal e sistema carcerário, tenho tentado compartilhar que a revolução só se alcança se passarmos por alguns estágios. A crítica é essencial mas dependendo de como é feita, se transforma em mera reclamação. A utopia é o alvo, mas precisamos dar o primeiro passo. Então é aí que volta, com força total, o termo de Tolerância.

Não só no contexto pessoal, mas na sociedade em que vivemos atualmente, talvez nunca tenha se feito mais preciso a tolerância. Na questão política partidária, nas religiões, nos esportes e em especial no futebol, nos movimentos socais...

A religião, como elemento que mais levou a mortes ao longo da história, segue não conseguindo praticar a tolerância. No contexto mundial através do Estado Islâmico e no contexto nacional através da Bancada Evangélica e seus aliados, vemos que democracia, o regime da tolerância não combina com a intolerância religiosa.

A questão não é o islamismo ou o protestantismo evangélico. Pensar assim de forma generalizada já é intolerância. Mas a interpretação que se faz, radical, nos leva sempre a intolerância. O problema é que aí até as coisas que estão em busca de um bem maior podem se contaminar. As feministas e seus direitos totais de ficarem indignadas com a sociedade que parece uma propaganda de cerveja, de tão machista. Os homossexuais e seus direitos totais de não aceitarem as medidas preconceituosas de determinadas religiões.

Mas, mais uma vez o profeta estava com a razão e a emoção. Se gentileza gera gentileza, intolerância gera intolerância. Assistindo a uma partida de futebol, fazendo um show de rock, participando de um debate acadêmico ou de uma gincana escolar, isso fica visível.
Eu quero paz com liberdade, amor sem ódio e igualdade na diferença. Isso é utopia, mas para atingirmos precisamos dar o primeiro passo. A Tolerância.

Tolerância é ouvir mais que falar, pensar mais que agir, se colocar no lugar do outro. É voltar atrás, é dar braço a torcer, perdoar, engolir. Respeitar. É diálogo, é troca, é empate. Não é o mais bonito, mas é a base. Não é minha utopia. Mas é o primeiro passo.

Aprender, praticar, compartilhar. 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Reformas, construções, Cunhas, Blatters, Patricias e Évretons


Sentei para escrever sobre a redução da maioridade penal, proposta de derrubar a lei do desarmamento, críticas ao “mundo do futebol”... Temas que cada vez mais me convenço, é difícil trabalhar em uma sociedade que quanto menos sabe mais fala com intolerância da verdade absoluta.

Essas questões de violência estão fortemente ligadas ao conceito de intolerância que é alimentado pela velocidade das redes sociais. O bom é que o povo tem voz. O ruim é que não tem argumentos. Acabam sendo apenas caixa de som que amplificam uma mesma voz.

Mas eis que as besteiras que o presidente da câmara Eduardo Cunha tenta colocar aceleradamente para votação, os problemas de violência, a alienação útil da (falta de) educação, autonomia de jovens (amplificadores), e esses mesmos temas sendo escancarados no mundo do futebol.... no meio de tudo isso escuto uma canção! Ela me faz esquecer tudo e me leva para a rambla de Montevidéu.

Em uma noite drogada,  no centro de Montevidéu, estava eu em uma festa numa casa abandonada. Fui com uns caras que conheci horas antes num albergue. Teria um show,  os músicos eram esses meus mais novos amigos. Um argentino, dois uruguaios, compomos algo de tarde,  antes de pegarmos um ônibus pro show.

Lá cerveja de litro,  papos a kilo e gurias a metro.  Era um banquete e eu ali com fome de novidades.  Teve apresentação de violino, filme preto e branco e o resto foi tudo colorido. 
No outro dia acordo pro café (da tarde) com a notícia de que teria show de brasileiros.  (Era a galera do olodum). Meu colega baiano queria ver o que era ser baiano. Eu queria saber ser brasileiro. Com uma loira de SC fomos pra parada tentar descobrir qual o ônibus iria pro lugar do show que não sabíamos onde seria.

Encontrei uma argentina, meio hippie, gostei. Descobri que era musicista e tocava na orquestra da cidade do Che Guevara.  Conversamos até o fim do show.  Na volta, por ser brasileiro, carona na van do olodum. 

Segunda feira tem aula. Discutir política, educação, brincar de corrida de caranguejo no corredor e comer no chinês que é mais barato. Pra de noite sobrar grana pra pizza com ceva, onde o garçom discute sociedade com mais argumentos que o professor e a garçonete encanta mesmo em silêncio. 

Era no bar que recebia sanduíche da brasileira aposentada que queria  conhecer o mundo e alimentar melhor o estudante sonhador. Entre um gole e outro, mais um trabalho feito.  Artigos lidos e dia finito. 

Bah que saudade da minha rotina Uruguaia do mestrado!
Mas acorda Ralph, aqui estamos preocupados com o futebol, então vamos tuitar algo do meu time contra os adversários e enquanto a grana rola entre eles, a intolerância e a violência entre nós  eu grito gol! Algum Blatter sempre estará lá a olhar por nós! ( rir de nós). Pro professor digo que não li porque não lembrei, mas discuti política com um pai. Temos que tirar a Dilma e 16 anos pode votar, tem que ser preso então!!! e temos que ter nossa arma em casa, afinal ta tudo muito violento. (aqui ainda posso ser irônico). Afinal a culpa é da Dilma, do professor e do pessoal da periferia.  

“.Acabei de receber uma promoção, vou virar mestre de obras. Terei uma obra só minha em Canoas. Dedico ela a ti pois teus pensamentos mudaram os meus”. Recebi ontem antes de dormir essa mensagem de um ex estudante do EJA. Por mais saudade de Montevidéu, talvez  aqui a educação possa construir um novo país.. Se tivermos mais pedreiros, assim!!!!! Afinal mudar de lugar é fácil, mas mudar o lugar... Melhor é abrir uma Patricia, responder a hippie e seguir a construção.

Não sei dizer eu amo vocês, então torço que as atitudes sejam entendidas. (as vezes precisamos uns "nãos")





domingo, 17 de maio de 2015

Slow...



Que vivemos em tempos cada vez mais corridos podemos saber via analises de pensadores pós-modernos ou em uma conversa via whats app com aquele vizinho que nunca vemos. Preferencialmente na conversa (digitada, ou até mesmo através de emoji) pois é mais prático e rápido que a leitura e a reflexão de um livro.

A questão é que não cabe aqui (e não temos tempo(?)) de versar sobre as possíveis causas que convirjam para essa era acelerada. Apenas, ciente dela, buscar refletir através de alguns movimentos, exemplos e incentivos a uma mudança de percepção.

O já consolidado e divulgado movimento do slow food que desde o fim dos anos 1980 vem trazendo uma reflexão em contrapartida não só da alimentação fast food (espelho) mas da própria sociedade fast food.

Em seu manifesto, sua filosofia e missão aparecem aspectos como o direito ao prazer da alimentação, utilização de produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção, os produtores. Bom, limpo e justo! Tão simples e tão difícil nesse nosso tempo.  Uma alimentação mais saudável, responsável e prazerosa. (quando as pessoas dar-se-ão  conta de como esses conceitos andam juntos?)

Através do respeito ao meio, a biodiversidade, as pessoas, a nós mesmos, essa filosofia propõe através de um dos nossos hábitos mais primitivos, uma mudança na forma de perceber as coisas.
Baseado nisso, nossa era é caracterizada pela informação. Velocidade e consequentemente, excesso de informações. (quase todas elas inúteis para nós após alguns minutos). Pouco se transforma em conhecimento e quase nada vira sabedoria.

Pensando em tudo isso, trago para pensarmos também o slow journalism. Movimento pensado também em alternativa (para não falarmos em oposição) ao jornalismo que vem sendo muito praticado atualmente. Para muito além de manchetes que usam uma imagem e pouco texto, baseado em achismos e valorizado pela antecedência ao ser publicado e não pela qualidade... o slow journalism prega uma reflexão mais aprofundada sobre os temas. Mais importante do que noticiar primeiro é noticiar bem. Mostrar os diferentes lados, embasado, fontes, acompanhar um processo... enfim, novamente respeito, prazer e reflexão.

Por fim, como podemos já estar pensando, parece possível usarmos o “slow” para muitas áreas de nossa vida. Por uma vida mais “slow”. Seja nas opções de lazer e divertimento, no transporte urbano, na nossa forma de trabalhar, estudar...

Vencer o conteúdo e acabar o livro a tempo para conseguir contemplar tudo na prova! Provas a tempo de passar no vestibular, entrar na faculdade ainda adolescente para graduar-se e começar a trabalhar o quanto antes. Trabalharmos mais e ao encontrarmos nosso vizinho (no whats) dizer que não lemos o livro do pensador pós moderno pois não temos tempo. Só trabalhamos. “o tempo ta corrido”. É, nisso tudo, por medo de ouvir p pai dizendo que “não trabalha para comprar livros de conteúdo para não serem utilizados” ou estudantes que se preocupam e cobram o conteúdo pois caso contrário a prova vai ficara incompleta... esquecemos do principal! (pensar, dialogar, sentir.) Justo, saudável, responsável, prazeroso, profundidade, reflexão... isso é slow.

Site sobre o movimento slow food no Brasil - www.slowfoodbrasil.com.br 

Campanha contra o fast jornalismo. - http://www.hypeness.com.br/?s=pobreza+e+midia

Na foto "a casa do Bob" comida e vida mais slow (EUA)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Pensar em desistir?


Pensei em escrever sobre os absurdos ocorridos na “pátria educadora”, mais especificamente os que aconteceram entre o Estado e os professores, mediados pela polícia. Como diriam os titãs... ou como diria um estudante meu “marionetes”... que nas mãos de governantes despreparados e amedrontados, tremem. Também despreparados, quebram.

Políticos? Policiais? Professores? Em quem colocaremos a culpa dessa vez? Tragam um espelho. Enquanto a população não perceber que as categorias criticadas a cada semana são amostras de nós mesmos. Um título, um uniforme ou um cargo não deixa alguém furtado do seu caráter humano. Essas atitudes de impeachment, redução da maioridade penal, são apenas reflexos da forma que viemos nos comportando.

Pensei em escrever sobre a proposta da redução da maioridade penal. Fazer com que jovens que respondem por seus atos a partir do ECA e de medidas socioeducativas passem a responder pelo código penal e prisão. Para quem conhece os documentos/legislação e a prática (fase e sistema carcerário) não parece difícil se posicionar na discussão. Estudiosos e especialistas nos temas são praticamente unanimes, ,mas formam a minoria. Do outro lado, alimentada pelos números da violência, ódio e insegurança e mídia sensacionalista,  a maioria.

Pensei principalmente em escrever sobre a experiência que tive semana passada e saí transformado.  Passar uma semana no sistema carcerário do regime fechado conversando com recuperandos, funcionários e voluntários. Talvez se mais pessoas pudessem experimentar o contato não precisaria estar pensando em escrever sobre a violência com os professores ou da redução da maioridade penal. Porém sobre isso estou escrevendo para o mestrado. Material inédito, então deixemos para a publicação.

Por hora escrevo sobre aqueles momentos que pensamos em desistir. Questão que me foi levantada por uma estudante semana passada. “tu pensas em desistir?” Depois de  refletir e questionar o conceito de desistência, sobretudo lincado ao de mudanças, e de dizer que penso em desistir todos os dias... pensei, conversamos... cheguei a ideia de que quem não pensa em desistir todos os dias é porque já desistiu e não percebeu. Então por tudo que não fazemos agora, por todas as mudanças e trocas, questionamentos e “inconformações”, desisti de escrever sobre a minha experiência na APAC, sobre redução da maioridade, sobre o conflito no PR. Apenas compartilho um momento de desistência da semana expresso através de um e-mail para minha orientadora:

Patrícia,

A academia cobra a tal imparcialidade que na minha forma de ver não existe. Ao escolher falar de um tema, estou já sendo imparcial. Ao escolher a fonte da letra que usarei no texto estarei sendo imparcial. Ao olhar para o caso, através do meu olhar que se da a partir da minha cultura, educação, moral, ideologia, escolhendo um paradigma, uma metodologia... tudo isso estarei sendo imparcial.
Se a emoção aparece a academia pode questionar e dizer que não é cientifico e blá, blá,b

Eu trabalho com educação. A pesquisa para mim é como se fosse um alimento que me fortalece para o meu objetivo principal (que está longe de ser ficar horas formatando trabalhos ou discutindo com egos de doutores que não saem das suas torres de mármore) é compartilhar meu olhar sobre as coisas. Buscar conectar as diferentes realidades que percebo... tentar interferir de alguma forma na sociedade em que faço parte. E isso me parece impossível de separar quando começo a escrever no que acredito.
Eu me emocionei, eu chorei, eu falei palavrões, nada científico.
Não sei se vou conseguir/querer me submeter a essas besteiras que cada vez mais me incomodam do mundo acadêmico. (e também escolar!)

Estou bastante contente pois fui convidado para uma reunião no ministério público do tribunal de justiça do RS para falar sobre minha visita e experiência na APAC para a futura instauração de uma em Canoas. Acabo de receber um e-mail me convidando para realizar mais uma palestra para estudantes da psicologia e do dirteito de uma universidade de na serra gaúcha. Sobre a APAC e transformação social. Tenho conseguido despertar amigos e familiares para assunto que não os interessava ou tocava.

Talvez isso tudo que está acontecendo é o que eu mais queria. Compartilhar, trocar, experimentar.
Enfim, confuso quanto a seguir escrevendo para o mestrado.
Também não tenho mais saco de ter que cortar uma linha de discussão quanto um sinal infernal toca. Parar a fala de um estudante porque um imbecil que não queria estar ali não consegue respeitar os demais.

 Não nasci pra fazer chamada. Faço três vezes porque esqueço, rasuro e perco. Pra que? Também não quero falar para os pais o como a vida capitalista individualista e frustrada deles não pode ser descontada em um paradoxo de abandono e superproteção dos filhos. Não gostaria de ter que contrariar uma noção formada de que não é preciso respeitar colegas, de que os professores não são especialistas o suficiente para terem a total autonomia na educação escolar, de que a nota é o mais importante e pode ser alcançada na última prova do ano... Não sou pai de ninguém. Não tenho maturidade para ser, menos ainda pra falar como se deve ser.

Não quero ouvir alguém me dizer que tenho que dar limites para seus filhos... Horas fazendo provas? Pra que? Pra escrever opções que estão erradas e uma que está correta? Perco mais tempo escrevendo mentiras do que construindo conhecimento! Algo está errado nisso tudo! Porra, ninguém vê?
Burocracia, notas, grana....  Gastam o tempo e a energia que é pra ser de vida.

Procurando onde esteja o que quero! Além de dentro de mim.  (Sem nunca esquecer o que uma estudante me disse tempos atrás “mudar de lugar é fácil. Difícil é mudar O lugar”)




Na foto uma placa significativa (desde ser esculpida na madeira, junto com um novo homem, até o fato de estar na porta que abre para novas possibilidades)que recebi de presente dos recuperandos da APAC e deixo na porta de meu quarto para não esquecer que das muitas coisas que me ensinaram sobre educação, me fizeram pensar que desistir diariamente é nunca desistir.