terça-feira, 2 de dezembro de 2014

                                                             
                   Faça uma lista...

Esse ano termina mais cedo para mim.
(viagem, churrasco, ceva, piscina, show, amigos mas também notas, conselhos, calor, tensão, prazos, choros...)

Intenso como tem que ser. Buscando o equilíbrio como deve ser.

Nesse contexto tive uma aula com estudantes do EJA onde debatemos a relação da razão e da emoção na construção do conhecimento  e na busca pela sabedoria. Partindo de exemplos complexos do cotidiano até a casos simples da filosofia grega ou da neurociência  percebemos como esse casamento do saber com o sentir é mágico.

Eles estão presentes de forma bem ruidosa dentro de mim. Horas brincam de mãos dadas, horas se desentendem. Uma relação sadia, mas tensa.

Acredito em deus tanto quanto acredito em uma cadeira, ou no amor. São coisas que não tento dizer que não existem. Mas existem porque nós construímos. 

Partindo do conceito de cultura, diria que deus para mim são os homens e mais especificamente a relação entre o pensar e sentir dos homens. Sem polêmicas religiosas, queria dizer que penso ser sagrada a relação do saber com o sentir.

Mas a questão é que nesse encontro nós, como de costume, conversamos bastante, passamos pela filosofia, tempo, e chegamos ao “conhece-te a ti mesmo” do Sócrates, como chave dessa relação da sabedoria.  Disso fomos a ressalva trazida por Foucault, que o conhece-te a ti mesmo, estaria subordinado ao “cuidado consigo”. 

 Depois de algumas razões e emoções, deixei como atividade para eles, fazer uma lista de 10 coisas para realizarem antes de morrer.  Dez sonhos. Dez cuidados consigo mesmo.

Rendeu desde reflexão sobre excesso de quereres até dificuldade de sonhar.
Entrei na jogada. Enquanto eles faziam, baixinho fui pensando nos meus.  (incrível como da para perceber a relação da razão com a emoção)

E você? Quais são seus 10 sonhos/coisas pra realiza antes de morrer/cuidados consigo?

Aaah eles tem um trabalho final para serem aprovados. Li as listas deles e cada estudante vai ter que realizar/alcançar um de seus desejos até o final do ano. (Percebi novamente o quanto vamos adiando nossos sonhos... mas são bem mais possíveis dos que nós imaginamos... acredito que ninguém vai (querer)reprovar!)  

ps: sobre meus sonhos até escreverei aqui, mas antecipo, é meio F. Pessoa, guardo em mim todos os sonhos do mundo. E são tantos que estão sendo construídos todos os dias, com todos que me cercam.


quarta-feira, 19 de novembro de 2014



                         As coisas não ditas.

Todos nós silenciamos.

Cada vez menos, é verdade.

Vivemos em tempos que as pessoas gritam seus desejos, estampam seus feitos,
Publicam, curtem e compartilham, tudo na expectativa de... espera! Na expectativa de que?
Serem ouvidos? Vistos? Lembrados? Admirados? Invejados?

Penso que a falta de liberdade para se expressar está entre as coisas mais doloridas para o ser humano. Não somos se não nos expressamos. A angústia do silêncio do pecado, da ditadura, do segredo, sem dúvida é marcante.

Mas pelo contrário, atualmente não tem sido esta a questão. Vivemos em um país onde, ao menos na teoria, garantidos também pela constituição e dentro de nossas amarras culturais, temos a total liberdade de expressão.

Tanto se lutou e ansiou por isso... e agora?
Todos emitem todo tempo, mas poucos veem, poucos escutam.

Seria um momento de protestar para que as pessoas, ao invés de somente falar, mostrar, expressar, também vejam, escutem e percebam?

Talvez o excesso de palavras, usar e abusar das imagens, não tenha mais nos dado o trabalho da escolha, da reflexão, do lapidar o que mostramos, falamos.  Não no sentido da censura (bate na madeira 3 vezes), mas no respeito ao que devemos ter conosco e com os outros.

O bem escrever, o saber falar, reside no ato de escolher bem as palavras. Já dizia o Schopenhauer.

Não faltam pensadores que louvaram o silêncio. Desde filósofos antigos até poetas contemporâneos. Mas por hora, ao invés de citar as frases, fiquemos em silêncio.

E por fim, parafraseando o Tim maia (que está em cartaz com um filme que se me agradar pelo menos a metade que sua biografia - Nelson Mota, me agradou... deve ser foda!)
 “aaaah  se o mundo inteiro me pudesse ouvir...”

Se o mundo inteiro te pudesse ouvir, falarias o que?
ps:Mas hoje não vivemos um tempo onde o mundo inteiro pode nos ouvir?

Calo-me.



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Quebrando os muros!


Semana passada completou 25 anos da queda do muro de Berlim!

Há 25 anos a Alemanha estava novamente unida, ao menos teoricamente.
 Caiu junto com o muro a guerra fria que desde o final da segunda guerra mundial dividia o mundo em ideologias divergentes. EUA e seu modelo de vida capitalista onde se vende a ideia de que há liberdade, mas se é escravo do dinheiro X URSS e seu modelo socialista onde se doa a ideia de igualdade, mas se é escravo do estado.

Embora tenha dado um tom crítico, de fato é importante refletir sobre os dois modelos para, diferentemente da cegueira contemporânea, pescar aspectos positivos de ambas as ideologias. Com o triunfo do capitalismo e a globalização se aprofundando e acelerando a comunicação entre os países, considero a queda do muro o marco inicial para o inicio da era pós-moderna.

Não, a pós-moderna não vem depois da moderna (1453 – 1789) e sim depois da contemporânea. Período que ainda é tema de discussão acalorada nos meios intelectuais. Desde Lyotard e a pós-modernidade e Bauman e a modernidade líquida.

De fato penso que este novo período é marcado pela descrença nos macro discursos, nas grandes ideologias. Uma era de aceleração na tecnologia da informação, em excesso, por sinal, de velocidade na comunicação, falha muitas vezes, e nas micro-revoluções.

Sou simpático a esse período. Sou um crítico otimista. Penso que as coisas estão piorando cada vez menos.

Percebo uma ampliação dos direitos de cidadania, um debate maior de preconceitos, uma maior participação das pessoas nos processos, uma valorização da educação, diferença e da sustentabilidade.Sim, estamos engatinhando em tudo isso... mas agora se fala sobre isso!

Mas talvez fosse interessante batalharmos para derrubar outros muros. Não mais os muros das ideologias. O muro que está entre as pessoas atualmente.Entre psdb e pt, entre gremistas e colorados, entre professores e estudantes, entre colegas de trabalho, entre amigos de facebook, entre pedestre e motorista, entre hetero e homo, entre homem e mulher, entre negro e branco, entre rico e pobre, entre nordeste e sul...

Esse clima de raiva tem me cansado um pouco. Vale só a ressalva que esse contexto de “caos” é o que marca um momento propicio para grandes “ditaduras contemporâneas”. Desde o nazismo, passando pela ditadura do estado novo ou militar de 1964.

As pessoas procuram discursos fortes para se defenderem nessas épocas de ânimos acirrados. Atualmente, lembre-se do estado islâmico. Mas lembre-se que a única coisa que nós sabemos sobre ele é o que nossa visão ocidental nos deixa saber... (mas na pós-modernidade não tinham terminado os mega discursos? É o ocidente e o oriente, cada um no seu ritmo, ainda).

p.s: na foto o meu pedaço do muro J



terça-feira, 28 de outubro de 2014

As pessoas não estão discutindo política.
 (política mesmo, quase ninguém discute. Tem que ler, pensar, participar.  As pessoas dizem sempre que odeiam política)
Não estão opondo ideologias.
(para discuti-las tem quer conhecer, estudar,  analisar. A maioria nem sabe o que são ideologias)
Elas não estão debatendo diferentes modelos de país.
(Tem que refletir sobre economia, sociedade, história, política, minorias, legislação... poucos param para buscar informações sobre isso)
Elas nem leram os programas dos governos.
(Não foram atrás dos programas, não baixaram os pdfs não leram e refletiram sobre as propostas. Só viram propagandas, faces e debate de acusações)

Se as pessoas não gostam de política, não estudam as ideologias e os modelos de sociedade, não interferem diariamente através de atos de cidadania, o que elas estão fazendo?

Simples, elas acham que ser cidadão é ir votar! Talvez o ato menos cidadão é o fato de se ir, obrigado, a uma urna e votar em alguém. Ser cidadão é respeitar os deveres, exercer os direitos, participar e interferir na sua sociedade!

O conceito de cidadania nasce lá na Grécia antiga, em Atenas, mas naquela época nem todos eram considerados cidadãos. (Mas não tem gente agindo como se nordestino também não fosse?). Talvez não tenhamos avançado tanto assim na democracia...

Mas a cidadania se torna um marco mesmo a partir da revolução francesa, inicio da idade contemporânea e da hegemonia da democracia.  (Dessa época surgem os conceitos de direita e esquerda, ideologias e utopias que marcarão a era dos extremos na contemporaneidade)
O que se faz hoje não é discutir política.

O que estão fazendo é brigando. É um show do que não é cidadania.
É ofendendo nordestinos, opondo ricos e pobres, brancos e negros, homens e mulheres... como argumentos, usam um candidato ou outro. Eles são meramente fantoches. O Brasil precisa sim, de mais educação.

Cidadãos de facebook, aqueles estudantes que passam o ano inteiro pendurados no celular, sem ler uma linha de um livro, sem buscar saber o que é política, ideologia, sem debater em aula, sem participar, desrespeitando colegas e professores, nessa época estampam adesivos de partidos e acham que estão discutindo política. Chega ser engraçado tu perceber que as atitudes e pensamentos demonstram uma forma de ideologia e o próprio defende outra. São também aquelas dondocas que são preconceituosas, desrespeitam suas funcionárias, se acham superiores em virtude da sua grana e passam o ano todo na academia e salão de beleza, agora enchem suas camionetes importadas de adesivos e discutem política. São aqueles tios que sonegam impostos, são corruptos nas suas empresas e essa época do ano discutem política.

Para aqueles que realmente gostam de pensar política e cidadania, ficam as eleições do Uruguai. Ocorreu a disputa do primeiro turno esse final de semana. Mujica não pode ser reeleito, mas vale uma atenção a política deste país! Avanços nas discussões sobre aborto, drogas, questões de gênero e etnia. 
E juntamente com o voto para presidente os uruguaios votaram no plebiscito sobre o tema da redução da maioridade penal. E eles não aceitaram a redução! J

Cada vez mais fã deste país! Temos muito que aprender com ele.
O pior analfabeto é o analfabeto político. 

http://www.youtube.com/watch?v=Vg22b8Knf0U

quinta-feira, 23 de outubro de 2014



A culpa é da gramática.
Todos os poemas te chamam.
Tento outras, letras, temas, chamas.
Só me queimo. Leio, releio, não sinto.
Tento, invento e até minto.
Não adianta.
É teu nome que preciso.
Os outros não rimam.

É, acho que a gramática ainda te ama.



 Cego, Surdo, MuNdo.
Vejo tantos. Ouço todos.
Falo pouco. Sinto tudo.
Cego, surdo e mudo.
Sentir é minha forma,
De comunicar o mundo. 


Kamikaze.
Quando se ama, deve-se tirar o capacete.
Ir sem medo, morrer de fome ou viver com sede.
Abraço curto ou como se não houvesse amanhã.
Mas amar também é teoria? 


Alunos
Eles vestem uniformes da sociedade
Seguem a sirene do poder.
Presos em seus lugares.
Obedecem aos carcereiros.
Roubam notas.
Mas tem recreio.
É, eles estão no semiaberto. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Essa semana que passou foi sem dúvida, especial. Afinal, celebramos o dia das crianças e dos professores. Ambos, em minha opinião, são figuras essenciais para escrevem o futuro de uma nação. Além de tudo que consigo ver em comum nestas duas categorias, que vão desde a sabedoria do erro até a alegria da ironia, nos dois casos às vezes penso que tem tudo para serem chatos. Quando não o são, então é fantástico!

Mas ambos os casos (crianças e professores) guardam uma característica que gostaria de comentar. Um tipo de olhar.  Nesta semana festiva fui a São Paulo com minha irmã. Ficamos lá somente dois dias, mas foi o suficiente para me fazer pensar nesse olhar.  O Olhar das crianças, dos professores, o olhar do turista!

Eu costumo dizer que uma das duas melhores coisas do mundo é viajar. Sim, duas porque me refiro às duas formas de viajar. Não precisamos sair de nossa cidade para viajar. Precisamos apenas sair de nossas amarras do senso comum.

Um turista, uma criança e um professor, compartilham muitas vezes aquele olhar de curiosidade, de encantamento as coisas que passam despercebidas pelos outros, vislumbram e desfrutam de outra forma o que conhecem. Como que de maneira um tanto quanto mágica ao verem as coisas, frequentemente são tratados como ingênuos, bobos ou loucos e sem noção.

Muitas vezes pensam “aah é que ele é turista/professor/criança” quando veem estas “categorias” fazendo aquilo que não temos coragem de pensar ou fazer.

Fomos para a grande metrópole da insônia para tirar os vistos para os EUA. Em São Paulo fomos recebidos por  inúmeros prédios que quase tocavam o avião antes do pouso. Gigantescos engarrafamentos  que também podiam ser vistos ainda no ar. Taxista mal-humorado, empresários arrumados e claro, atrasados. 

Naquele mar de asfalto com ondas de poluição percebíamos que dar um sorriso poderia ser menos natural do que bater na pessoa de sua frente para entrar no metrô. Porém o que nos parecia um convite para briga era algo corriqueiro e que não afetavam suas relações cotidianas.

Após uns pães de queijo, horas na fila e passaportes aprovados, começamos a aproveitar a cidade. Ainda bem que os EUA ainda não criou um detector de pensamento em seu consulado, pois meus pensamentos enquanto esperava, foram muito além das minhas habituais críticas a esse país. (Mas como sempre digo. Se queres criticar, busque conhecer para não ficar reclamando e sim criticando).
Cuidado, não estou generalizando, não estou inferiorizando ou tendo um comportamento xenófobo. Leia com atenção. Não acredito que podemos falar, e evito ao máximo, “gaúchos”, “brasileiros”, “homens”, “mulheres”, “estudantes”, “estadunidenses”. As vezes as palavras são necessárias, mas pensar assim não. Toda generalização é burra. (menos essa hehe)

Em São Paulo, embora tivéssemos pouco tempo, aproveitamos bastante. O transporte público lá, especialmente o metrô, achamos bastante útil e prático. Claro, evitando os horários de pico. A surpresa maior foi uma máquina que vende livros ao valor que tu desejar. Sim, tu diz quanto a obra vale e paga o que quiser por ela. (da para se sentir um crítico literário, pão duro ou ‘leitor’ ostentação)
 
Estação da luz, sua arquitetura, prostitutas e piano, é um conjunto interessante aos olhos. Uma mescla de culturas, histórias e cotidiano que revelam um pouco da nossa sociedade.
Pinacoteca, realmente um prédio muito lindo e por 6 reais mais do que ver as obras e exposições temporárias, podes participar do museu. Gravar depoimentos, reorganizar obras, fazer sua própria arte. Fantástica a interatividade que eles propõem.

Museu da língua portuguesa, meu favorito!  A gente é a partir da palavra. Então o museu nos explica. Emocionante todos os espaços. Senti-me mais brasileiro, mais eu, mais gente.
Por fim, mercado municipal, 25 de março, andávamos como turistas em galerias do Louvre, fui confundido com o ator do filme Jesus por um dos artistas-vendedores.

Jardim da luz, esperando o tempo, conhecemos pedintes como se fossem autores renomados que contavam suas belas histórias em troca de alguns trocados.
Comemos banquetes em padarias de ruas do centro.

Mas quando perguntávamos onde ficavam museus, como poderíamos nos deslocar, o que havia para fazer, as pessoas que moravam lá pareciam mais turistas que nós. Ou melhor, não tinham o olhar do turista, mas não conheciam. E isso não é em São Paulo, não é característica dos estadunidenses, é, infelizmente algo que tem marcado a nossa vida corrida nesse mundo pós-moderno.

Muitas vezes conhecemos a nossa cidade de maneira fria. Sem graça. Sabemos o trajeto de casa até o trabalho e a escola. Mas embora passemos todos os dias pelo mesmo caminho, não estamos atento nem mesmo as pequenas belezas deste trecho. Fones de ouvido, rádio ligado, olhar fixo e perdido ao mesmo, em nós mesmos.

Não interagimos com os outros, com a cidade, não desbravamos, não nos encantamos, não percebemos. As vezes notamos crianças, turistas e professores brincando, se encantando, tirando fotos com, falando sobre essas “coisas” que passamos diariamente sem perceber que são mais que “coisas”.

Fica o meu convite. Crie a fantasia. É uma brincadeira de criança, mas uma tarefa de professor.
Seja turista na sua cidade, no seu bairro, rua, emprego, escola, casa. Busque encontrar aquilo que está sempre ali e tu não percebe. Lembra que para viajar não precisa fazer malas? Basta fazer a cabeça. Viaje, abra mais os olhos e a mente. Seja um pouco mais criança, professor e turista no olhar. 


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Pré – conceito. 


Preconceito é um tema que me faz pensar e questionar bastante.

Recentemente tenho percebido uma crescente discussão envolvendo o termo. Desde torcedores de futebol até gaúchos de ctg, passando por presidenciáveis e eleitores. O que me agrada.


 Etimologicamente podemos facilmente perceber, todo vez que nós primeiro agimos ou julgamos antes de realmente conhecer o conceito, estamos tendo um pré conceito.

Esses dias um amigo meu contou que estava parado com sua moto na sinaleira quando uma Kombi parou do seu lado. Como o sinal estava fechado para os carros, uma menina a caminho da escola atravessou, segundo ele, a menina de uns 9 ou 10 anos estava com um sorriso no rosto que já servia para iluminar o dia de qualquer um que rumava aos seus afazeres. Mas ao quase terminar sua travessia na faixa, os homens (se é que assim posso chamar) que estavam no automóvel, passaram a imitar sons de macacos para ela. Ele disse que a garota se transformou completamente. Mudou sua fisionomia. Ela olhou para os lados com vergonha, como se torcesse que ninguém a estivesse vendo. Ela se curvou. Escondeu-se dentro de si mesma. O sinal abriu para eles. O sinal fechou para ela. O sinal fechou pra mim. O sinal fechou para todos. Ele disse que seguiu para seu trabalho hipnotizado. Só queria poder dar um abraço naquela menina. 

Mas se estamos hoje vivendo uma época apelidada de era da informação, deveríamos ainda ter preconceitos? Sim! Primeiro vale lembrar que informação não é conhecimento. E conhecimento não é sabedoria! Embora muitas vezes usamos como quase sinônimos, guardam grandes diferenças. (sobretudo sociais). Mas enfim, outra hora pensaremos sobre isso.

O fato de termos atualmente maior acesso as informações é o que provavelmente gere um maior debate a cerca deste tema que nos permeia a vida desde a pré-história. Preconceito é algo natural! Todos nós temos. Afinal ao ver algo, primeiro automaticamente relacionamos, conectamos a outras informações, conhecimentos e sabedorias que temos dentro de nós(?) e a partir disso sai nossa impressão. Nosso pré-conceito. Aí entra a parte de não ficarmos somente com a nossa impressão e sim, transformar este pré-conceito em um conceito.

 Mas esse processo entre o pré e o pós conceito é que devemos questionar. Se sabemos que o preconceito é algo natural, o que não podemos pensar como natural é o fato de aceitar nossos preconceitos. Vamos questioná-los e transformá-los em pós!

Em um país que pela história oficial tem pouco mais de 500 anos , onde nesse período o negro, por pelo menos 300 anos era considerado menos que nada e era comercializado como escravo, fica mais simples de entender o preconceito étnico. Veja bem, entender, não achar normal. De fato a maior parte da nossa história nós vivemos tendo a certeza que o negro era sim muito inferior. Este questionamento sobre não ser, é muito recente.

 Provável que meu tataravô tenha tido escravo e ensinado ao meu bisavô que negro era escravo.
Meu bisavô que talvez tenha vivido o período da libertação dos escravos, ensinou o filho dele (meu avô) que negro era escravo liberto.

Meu avô que viveu a época em que os escravos já estavam “livres” do trabalho escravo, mas foram simplesmente libertos, sem terem terras, casas, ou algum dinheiro, ensinou meu pai que os negros eram os pobres que tinham que ir morar nas favelas/vilas, roubavam e eram maloqueiros. 

Meu pai aprendeu então de meu avô que os negros tendiam a ter e ser menos do que eles. Provavelmente meu pais estranharia se minha irmã um dia viesse a casar com um negro. Mesmo sabendo que o negro não é mais escravo, nem liberto, nem obrigatoriamente vive em favela, tampouco tende a ser pobre e muito menos cometer crime. Mas se pegarmos os dados de concentração de renda, salários, empregos, sistema carcerário, ensino privado, universidades...  Enfim, vamos perceber que ainda vivemos as heranças das amarras da escravidão de mais de 300 anos.

Eu provavelmente ensinarei ao meu filho que negros e brancos são iguais. Não são nem raças diferentes! (pra mim, ouvir racismo ainda choca) Não são raças diferentes, são etnias diferentes!!! Raça é uma só, biologicamente, humana! Então trato como preconceito étnico. (não racismo, que já é herança de preconceito)

Mas e a Patrícia?

Preconceito só deixa de ser preconceito quando não nos policiamos para pensar no que vamos falar com medo de ser julgados. Preconceito para quando nós pensamos e entendemos o conceito. E no caso, sabemos que não há superioridade ou inferioridade, apenas diferença, entre tudo e todos. E isso é ótimo.

Próximo continuaremos e passaremos do preconceito étnico para outros tipos.

ps: O desenho acima foi entregue a mim por um estudante do ensino médio.