quinta-feira, 7 de maio de 2015

Pensar em desistir?


Pensei em escrever sobre os absurdos ocorridos na “pátria educadora”, mais especificamente os que aconteceram entre o Estado e os professores, mediados pela polícia. Como diriam os titãs... ou como diria um estudante meu “marionetes”... que nas mãos de governantes despreparados e amedrontados, tremem. Também despreparados, quebram.

Políticos? Policiais? Professores? Em quem colocaremos a culpa dessa vez? Tragam um espelho. Enquanto a população não perceber que as categorias criticadas a cada semana são amostras de nós mesmos. Um título, um uniforme ou um cargo não deixa alguém furtado do seu caráter humano. Essas atitudes de impeachment, redução da maioridade penal, são apenas reflexos da forma que viemos nos comportando.

Pensei em escrever sobre a proposta da redução da maioridade penal. Fazer com que jovens que respondem por seus atos a partir do ECA e de medidas socioeducativas passem a responder pelo código penal e prisão. Para quem conhece os documentos/legislação e a prática (fase e sistema carcerário) não parece difícil se posicionar na discussão. Estudiosos e especialistas nos temas são praticamente unanimes, ,mas formam a minoria. Do outro lado, alimentada pelos números da violência, ódio e insegurança e mídia sensacionalista,  a maioria.

Pensei principalmente em escrever sobre a experiência que tive semana passada e saí transformado.  Passar uma semana no sistema carcerário do regime fechado conversando com recuperandos, funcionários e voluntários. Talvez se mais pessoas pudessem experimentar o contato não precisaria estar pensando em escrever sobre a violência com os professores ou da redução da maioridade penal. Porém sobre isso estou escrevendo para o mestrado. Material inédito, então deixemos para a publicação.

Por hora escrevo sobre aqueles momentos que pensamos em desistir. Questão que me foi levantada por uma estudante semana passada. “tu pensas em desistir?” Depois de  refletir e questionar o conceito de desistência, sobretudo lincado ao de mudanças, e de dizer que penso em desistir todos os dias... pensei, conversamos... cheguei a ideia de que quem não pensa em desistir todos os dias é porque já desistiu e não percebeu. Então por tudo que não fazemos agora, por todas as mudanças e trocas, questionamentos e “inconformações”, desisti de escrever sobre a minha experiência na APAC, sobre redução da maioridade, sobre o conflito no PR. Apenas compartilho um momento de desistência da semana expresso através de um e-mail para minha orientadora:

Patrícia,

A academia cobra a tal imparcialidade que na minha forma de ver não existe. Ao escolher falar de um tema, estou já sendo imparcial. Ao escolher a fonte da letra que usarei no texto estarei sendo imparcial. Ao olhar para o caso, através do meu olhar que se da a partir da minha cultura, educação, moral, ideologia, escolhendo um paradigma, uma metodologia... tudo isso estarei sendo imparcial.
Se a emoção aparece a academia pode questionar e dizer que não é cientifico e blá, blá,b

Eu trabalho com educação. A pesquisa para mim é como se fosse um alimento que me fortalece para o meu objetivo principal (que está longe de ser ficar horas formatando trabalhos ou discutindo com egos de doutores que não saem das suas torres de mármore) é compartilhar meu olhar sobre as coisas. Buscar conectar as diferentes realidades que percebo... tentar interferir de alguma forma na sociedade em que faço parte. E isso me parece impossível de separar quando começo a escrever no que acredito.
Eu me emocionei, eu chorei, eu falei palavrões, nada científico.
Não sei se vou conseguir/querer me submeter a essas besteiras que cada vez mais me incomodam do mundo acadêmico. (e também escolar!)

Estou bastante contente pois fui convidado para uma reunião no ministério público do tribunal de justiça do RS para falar sobre minha visita e experiência na APAC para a futura instauração de uma em Canoas. Acabo de receber um e-mail me convidando para realizar mais uma palestra para estudantes da psicologia e do dirteito de uma universidade de na serra gaúcha. Sobre a APAC e transformação social. Tenho conseguido despertar amigos e familiares para assunto que não os interessava ou tocava.

Talvez isso tudo que está acontecendo é o que eu mais queria. Compartilhar, trocar, experimentar.
Enfim, confuso quanto a seguir escrevendo para o mestrado.
Também não tenho mais saco de ter que cortar uma linha de discussão quanto um sinal infernal toca. Parar a fala de um estudante porque um imbecil que não queria estar ali não consegue respeitar os demais.

 Não nasci pra fazer chamada. Faço três vezes porque esqueço, rasuro e perco. Pra que? Também não quero falar para os pais o como a vida capitalista individualista e frustrada deles não pode ser descontada em um paradoxo de abandono e superproteção dos filhos. Não gostaria de ter que contrariar uma noção formada de que não é preciso respeitar colegas, de que os professores não são especialistas o suficiente para terem a total autonomia na educação escolar, de que a nota é o mais importante e pode ser alcançada na última prova do ano... Não sou pai de ninguém. Não tenho maturidade para ser, menos ainda pra falar como se deve ser.

Não quero ouvir alguém me dizer que tenho que dar limites para seus filhos... Horas fazendo provas? Pra que? Pra escrever opções que estão erradas e uma que está correta? Perco mais tempo escrevendo mentiras do que construindo conhecimento! Algo está errado nisso tudo! Porra, ninguém vê?
Burocracia, notas, grana....  Gastam o tempo e a energia que é pra ser de vida.

Procurando onde esteja o que quero! Além de dentro de mim.  (Sem nunca esquecer o que uma estudante me disse tempos atrás “mudar de lugar é fácil. Difícil é mudar O lugar”)




Na foto uma placa significativa (desde ser esculpida na madeira, junto com um novo homem, até o fato de estar na porta que abre para novas possibilidades)que recebi de presente dos recuperandos da APAC e deixo na porta de meu quarto para não esquecer que das muitas coisas que me ensinaram sobre educação, me fizeram pensar que desistir diariamente é nunca desistir.




domingo, 19 de abril de 2015

Quem somos nós? (no cinema)

                                            

Nas últimas duas semanas assisti a dois filmes que estão martelando ainda em minha cabeça e se conectando em vários pontos com os demais temas que também estão estacionados nela, nos últimos tempos.

Penso não ser uma exclusividade minha mas algo que acompanhe a humanidade nesses milhões de anos que viemos buscando entender o meio em que vivemos, as nossas relações e nós mesmos.

O sal da terra é um documentário franco-ítalo-brasileiro de 2014, dirigido pelo alemão Wim Wenders e pelo brasileiro Juliano Salgado. Foi indicado ao Oscar de melhor documentário na edição do Oscar 2015. O longa é um olhar para a vida e a obra (ou a obra que é a vida) do talentosíssimo fotografo brasileiro Sebastião Salgado.

Há tempos um filme não mexia tanto comigo. De estudante do interior de Minas Gerais, passando pelo cientista econômico de esquerda engajado de São Paulo, até o economista secretário barbudo que trabalhava com grandes empresas em Londres. Isso tudo é Salgado. Isso tudo é ele antes de se descobrir fotografo.

Já casado e com filhos ele resolve abandonar sua carreira promissora e com barbas e cabelos ainda maiores, perdendo no tamanho apenas para sua coragem, inicia a vida de fotografo para olhar as pessoas e ver mais de perto.

Ele, assim como o budista que ouvi essa semana fizeram as melhores definições de economia que já vi/ouvi. (outro momento falo sobre isso). Deixou de ser um pós-graduado da economia para retratar em preto e branco todos aqueles que estavam a margem da sociedade.

Olhando para os excluídos sociais da América latina e da África ele inicia sua nova jornada. Tudo isso se mistura no filme. Um pouco biográfico, um pouco didático, um pouco histórico, um pouco de tudo. Mais muito de cada detalhe que torna o filme uma obra prima. Dirigido pelo mestre Wenders e pelo filho do próprio fotografo o filme narra a vida e as fotos, contando com depoimentos do Sebastião explicando o contexto de suas fotos.

O filme tem partes fortes. Sebastião diz que depois de acompanhar massacres, guerras, mortes e horrores que só os seres-humanos são capazes de criar, ele adoeceu. A alma dele ficou doente. Ele pirou por um tempo. Deixou de acreditar no homem. E aí inicia sua mais recente fase que busca retratar a natureza, o meio e os animais. Mas quando a gente pensa que ele “perdeu” é aí que vem a grande surpresa do filme, que muitas vezes chega a parecer ficção de tão interessante e surpreendente.

Ele se cura, sua alma passa a estar livre da melhor forma possível. Ele se conhece, se reconhece e passa a agir ainda mais como um agente de transformação. Filme brilhante que busca olhar para nós, homens, bichos, seres que somos um pouco homens, um pouco bichos mas que através do meio em que vivemos conseguimos ultrapassar tudo. Resumo: Palmas no final da sessão. (merecidas). Planos no final da sessão (ainda acontecendo) Mudanças no final da sessão (já estão começando).

Força maior foi o segundo filme. Ele é como a vida. Alguns saíram do cinema reclamando que não tinha nexo. (e a vida tem?), alguns elogiando e dizendo que é divino (e a vida não é?). Sem dúvida o filme tem partes tristes, chatas, cansativas, mas tem momentos de gargalhadas, reflexão, aventura, enfim, é como a vida. O filme busca retratar a vida. A vida de uma família. De homens, de mulheres, de crianças. Todos um pouco humanos, um pouco bichos.

Uma família sueca passa as férias nos Alpes para esquiar. Eles ouvem um estrondo, que poderia ser um alerta de avalanche. Mas o pai não acredita na possibilidade de perigo. Enquanto comem, são surpreendidos pela avalanche. O pai reage com covardia, o que fará com que ele seja perseguido pelos seus erros até o fim de sua vida.

Respeitando o tempo, enaltecendo os diálogos, reverenciando a natureza gelada, o filme talvez não seja para todos. Deixa muitas questões no ar. Não possui piadas prontas. Não é rápido e não é didático. Mas é muito bom. Diferenças entre gêneros de uma maneira nada obvia. Relações pensadas de maneira diferente. Medo e coragem não da maneira convencional. Filme simples mas muito complexo.

Pensar até onde somos bichos e onde somos homens. Racionais ou instintivos. O que faz o homem ser um homem. (essa semana discuti bastante sobre essas relações. Sexo, religião, economia, guerra, palavra, fogo, agricultura, choro, sorriso, elogio e crítica. Enfim, como mostram os finais de ambos os filmes, nós só somos quando nos relacionamos. Com o nosso meio, com os outros e com a gente mesmo. Contexto e Autoconhecimento. Homem e meio. As tecnologias nos expressam, retratam, nós interpretamos. Enfim, continuamos caminhando. E tudo está absurdamente conectado.


Filmes: O Sal da Terra e Força Maior estão em cartaz nos cinemas J

Na foto o uruguaio Eduardo Galeano (1940 – 2015) que nos deixou entre tantas lições, uma sobre caminharmos rumo à utopia.  

sábado, 11 de abril de 2015

Um Mês?



Sempre amei perguntas! Por algum tempo, submetido a ditadura da escola e de minha timidez adolescente, guardei-as para mim. Já na fase (adulta?) liberei todas elas! Em um bate papo com amigos, janta com a família ou na sala de aula. (atuando como estudante ou professor), espalho e disparo todas que puder.

Acredito, como o Gessinger, que a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza. Concordo com o comercial da Unissinos que diz que as perguntas movem o mundo. Não sou muito das respostas. Sou todo das perguntas, questionamentos...

Eis que essa semana me foi feita uma. De forma despretensiosa, no inicio da manhã, minha coordenadora pedagógica me olha e dispara: “Ralph, o que tu faria se o mundo só tivesse mais um mês?”

Parei. Pensei. Colegas vieram com boas piadas. Bateu a sirene. Fui para aula. A pergunta ficou.
Uma semana me acompanhando. Sim, já tinha pensado sobre o tema antes. Já havia recebido essa pergunta. Mas era outros momentos. Outros Ralphs. Veja, é diferente “O que fazer antes de morrer”, “O que fazer se tu só tivesse mais um ano de vida”, mas a pergunta foi “O que fazer se o mundo for acabar daqui um mês”.

Para mim, ao menos, faz toda diferença. Uma coisa é eu, simplesmente eu, morrer. Outra é o mundo todo desaparecer. Isso envolve mudanças na minha reação. Primeiramente pensei em viagens. Aquela de mochilão por toda América. E aquele tempo conhecendo a Europa? Mas e o autoconhecimento nos países asiáticos? Africa? Imagina uma banda pelo Egito e conhecer culturas tribais da savana? Bah! Antes de começar a imaginar as ilhas paradisíacas só pra mim meu violão e uma prancha, pensei de novo. É só um mês.

Shows dos Stones, tocar pra muita gente sem ficar nervoso, dar aula para quem esta sedento pelo que tu quer compartilhar? Ter um filho? Ralph, é só um mês! Dar a vida por alguma causa???  Não, Ralph o mundo todo vai acabar. Então fiquei sem resposta.

De manhã: Acordei leve. Comi uma pizza gordurosa fria e fui meditar no sol. (equilíbrio é o que há). Me voltou a questão! Caiu a ficha! Faria o que fiz esse mês. Nada de muito diferente. 
Nada que mude totalmente minha rotina. Mas, ações diárias que vão mudar a forma de fazer a rotina.
Respirar mais antes de brigar. Mais atenção com aquela pessoa. Um pouco mais de empenho naquela atividade. Um cuidado maior com aquilo. Um sorriso a mais pra ela. Olhar mais contemplativo sobre tudo. Pequenas mudanças cotidianas para transformar a rotina. (saberes, amigos, arte, natureza, estudantes, sentimentos, família, pessoas...)


As viagens? Os shows? A morte por uma causa? O filho? Escrever um livro? Deixa isso tudo para o “antes de morrer”. Para esse mês vamos agora, já! (só espero não morrer esse mês).

* Na foto um dos momentos simples e especiais de todos os meses. Estar com meus amigos tocando um rock and roll. Na ocasião, essa semana na formatura do Michael (baixista).

terça-feira, 31 de março de 2015

Porto Alegre 243


Eis que semana passada marcou os 243 anos da leal e valorosa! Volta e meia eu penso de cidades que moraria. Porto Alegre figura entre elas, sempre. Não por nascença, mas por paixão.

Cidade sentimental, sem nada que se possa encantar somente com um único sentido.  (diferentemente do Rio, Florianópolis, Santiago, São Paulo, Miami, Cidade do Panamá, Buenos Aires...) e outras cidades que tive a impressão de gritarem suas belezas. Em Porto Alegre parece que é dito baixinho, quase em segredo, em tom agridoce de domingo.

É como se a cidade ao invés de se mostrar, se escondesse, se deixasse perceber aos poucos, numa forma tímida e introspectiva. Poa é cheiro de rock and roll, cores de milonga, gosto de pôr do sol. Pra mim, a capital é ruas quase vazias, praças da igualdade e shoppings de cinemas e livrarias da zona norte. É a longe zona sul e suas desconhecidas águas, paisagem meio praia meio campo. É a cidade baixa e seus sons, luzes, sonhos e goles. É o centro, cheiro, alma e vida acontecendo.

Hoje por motivo de um compromisso próximo a redenção, me dei o presente de passeio demorado e atento pelo parque e ruas da cidade baixa. Detalhes da zona norte, terminal triângulo. Um tour pelo “turístico” T7.

Porto Alegre está de aniversário e quem ganha o presente é você! Tipo comercial de supermercado. Mas penso ser um duplo presente, bem ao slogan da prefeitura “quem curte cuida”. Curta e cuide Porto Alegre!

Ônibus turístico, já fez o passeio?  Viva o centro a pé, conhece a proposta? Pôr do sol no Gasometro? Passeio de barco pelo rio/lago/estuário mais polêmico e amado dos porto-alegrendes? Visitar alguma ilha? Os morros? O extremo sul? Museus, teatros, monumentos e parte histórica? Restaurantes, praças e parques?

Que tal comemorar o aniversário do Porto dos Casais?

Há poucas semanas em um trabalho de pesquisa sobre o centro da cidade, encontrei e entrevistei o Olívio Dutra (ícone da cidade) e ao perguntar a exatamente “Olívio, tens um minutinho para falar uma palavrinha sobre Porto Alegre” ele para, respira e ao estufar o peito diz “Pois desde a vinda dos casais açorianos....” Aí já da pra imaginar o quanto ele falou e o quanto temos pra falar de Poa!

Pra terminar:

 Pelo fim do muro da Mauá! (Não serve pra nada e esconde o Guaíba do povo)
 Pela renovação da feira do livro (evento significativo de Porto Alegre mas que merece inovações).
Pelo transporte público de qualidade e mobilidade urbana.

Link sobre uma ideia bacana de músicas para cada canto da cidade! https://www.google.com/maps/ms?msid=204100075941520427557.0004f8d454560cb92c04a&msa=0&dg=feature


Vale procurar as lendas urbanas da cidade e visitar seus cartões postais! Vale ler o dicionário de Porto Alegres do Fischer, Vale assistir ao Coisas que Porto Alegre fala... Vale viver e dar vida a Porto Alegre!   

* No vídeo, Bebeto Alves (além de tudo, pai da Mel Lisboa) em uma baita canção que me faz pensar Porto Alegre. 

sábado, 21 de março de 2015

Impeachment?


A política no Brasil, a contar por uma visão eurocêntrica (pensando o país a partir do século XVI com a chegada oficial dos europeus aqui) tem pouco mais do que 500 anos. Mas perae! Pelos primeiros 300 anos o país foi governado de forma absolutista por monarquias. (Tanto a portuguesa de D. João até as “brasileiras” de D.Pedro´s I e II) Logo, de 500 anos, 300 nós politicamente nem sabíamos o que era um voto, democracia, cidadania ou algo do gênero... 

Eis que somente em 1889 se instaura a república!!! Maas perae! Embora passamos a ter uma constituição que definia os três poderes, presidencialismo, isso tudo não foi beeem assim. Nos primeiros anos ficou apelida de “república da espada” por ser instaurada e governada por militares (Marechal Deodoro da Fonseca, por exemplo nosso primeiro presidente). Mas logo após isso começa a política apelida de “café com leite”, uma política oligárquica do poder concentrado nas mãos de poucos, coronéis controlando o eleitorado pelo voto aberto de “cabresto” onde os capangas te “ajudavam” a dar o voto certo. (claro, se você fosse homem, alfabetizado e maior de 21).

     Mas depois nós tivemos o golpe de 1930 e a Era do Vargas. Este que fica no poder do país ininterruptamente até 1945 (sem ser eleito democraticamente nenhuma vez até então. Só por golpes, ditaduras ou votos indiretos dos políticos). Mas aí temos um “suspiro democrático”. Suspiro porque embora não um exemplo de democracia, a época populista dos anos 1950 dura pouco. Logo em 1964 inicia a ditadura militar. Novamente ditadura, nada de votação, cidadania, democracia.... eis que em 1985 termina! De lá pra cá se vão 30 anos somente. E dentre eles ainda teve o impeachment do Collor! Putz, percebestes o quanto tivemos de democracia, voto, cidadania de fato? Pois é, se somar todos os períodos desde 1500 dá uns 50 anos!!!! Isso mesmo. 10% só da nossa história é democrática, de fato. A partir deste contexto podemos começar a discutir a política brasileira. E a sua recentíssima democracia.

O segundo passo seria refletir um pouco sobre teoria/ideologia, sobre isso já escrevi aqui. (post da foto do Mujica e no da foto da urna)
Aí sim podemos pensar na política do nosso país atualmente. Nossos 3 poderes (executivo, legislativo e judiciário) estão aí. Porém o único que se torna mais conhecido e lembrado é o executivo. Executivo, aqueles que executam: (em nossa república presidencialista: presidente). Legislativo, aqueles que legislam: ( deputados estaduais, federais, senadores) e o judiciário (aquele que julga, a justiça).

O impeachment foi incentivado, sobretudo pelo legislativo. Este que é formado por Jair Bolsonaro (que pede a volta da ditadura, já se colocou como contrário a negros, homossexuais, mulheres... enfim, se não conheces, por favor, youtube!), Celso Russomano, Pastor Marco Feliciano... e essas figuras deste nível! Alias, estes citados estão entre os 10 mais votados de todo o país. Além disso, os presidentes do legislativo são: Do senado – Renan Calheiros, da Câmara – Eduardo Cunha. Detalhe: Ambos os que presidem estão na lista de Janot da corrupção da Petrobras.

Não estou aqui para defender o executivo ou a presidente/a Dilma, mas quem estudar o perfil, as vidas/passados políticos, as propostas e seus trabalhos na politica vai perceber o enorme abismo entre eles... E então? Tirar a Dilma e manter o legislativo? (cuidado para não estar embarcando no ônibus errado. Não que exista o certo e errado em absoluto. Porém, por exemplo, pessoas acreditando que os protestos de 2013 e do domingo passado foram a mesma coisa!) Cada um tem o direito (inclusive ideológico) de pegar o ônibus que preferir, apenas cuidado para não pegar um que o leve para o destino que não é o seu.

Enfim, acho ótimo e extremamente saudável a manifestação social, os protestos políticos, a capacidade de se indignar! Mas para isso tudo, precisamos de argumentos, conhecimentos, informações.... e mais do que tudo, fazer a nossa parte. Microrevolução cotidiana! Quem vai pra rua reclamar, faz praticamente nada. Agora quem busca informações, construir conhecimento sobre o tema, debate, faz sua parte na sociedade, exerce seu papel de cidadão, quando vai pra rua não reclama... critica!!!  Menos reclamações e mais críticas! Menos discursos de ódio e vazio de ideias, menos repetição da grande mídia ou dos pais, sem conhecimento de causa.

ps: Não vou nem comentar os pedidos de intervenção militar, os símbolos nazistas ou os discursos religiosos e de uma direita ingenua no protesto. Deixo somente uma foto.

Li dois textos que me chamaram atenção sobre o tema:
http://t.co/C022bejnko - Marcos Rolim



segunda-feira, 16 de março de 2015




     Poderia utilizar o argumento clichê de que todo dia é dia da mulher, para parabeniza-las hoje. (Já que não escrevi nada no dia 8 de março). Porém, ao invés de fazer isso, vou tão somente trazer uma breve reflexão e que por ela fique registrado o que penso e meu reconhecimento.

     Interessante pensarmos que antes de ser motivo para alavancar vendas de perfumes ou rosas, o dia 8 de março nasce de uma questão social!!! (lembra das mulheres da fábrica?)  Embora haja controvérsia entre os historiadores sobre o surgimento da data, a maioria defende a ideia de que a questão surge com a luta por mais direitos, sobretudo trabalhistas, as mulheres.

     Embora historiador (talvez justamente por isso),não "admiro" muito datas e sim processos.Desta forma, aproveito o passado “dia das mulheres” (que por um lado me entristece, por outro me enche de esperanças para reflexão), para parabenizar as mulheres (Não por terem nascido do gênero feminino, simples acaso na minha opinião) mas por mesmo com maior dificuldade do que deveriam, conseguirem se destacarem enquanto profissionais, estudantes, cidadãs. Desejo tudo de melhor, e que entre tudo, muito mais direitos e igualdades entre os gêneros. 

Por fim, deixo um vídeo que gosto muito de discutir e, talvez a única reportagem (relacionada ao tema) que me interessou nas coisas que li na grande mídia no dia 8 de março.   



·        *  Na foto minha afilhada, a qual espero que viva os dias 8 de março com outro significado.




segunda-feira, 2 de março de 2015

Mudarolhar!



Por mais lugar comum que seja, gosto da ideia de pensar nossos olhos como a janela que usamos para ver o mundo. Enxergamos e entendemos o mundo através da nossa educação, cultura e moral.

Tenho uma grande simpatia pela frase do Gabriel, o pensador, a qual diz que “a mudança do mundo começa com a mudança da gente e a mudança da gente começa pela mudança da mente”. Poeticamente poderíamos ainda dizer que a mudança da mente se inicia pela mudança do olhar!

Mas como mudar o olhar?

Dizem que precisamos conhecer e procurar no mundo todo para depois perceber que encontramos e precisamos mesmo é do que está em casa. Diria que talvez olhar diferentes lugares, sensações e pessoas é que  nos faz olharmos de outra maneira o que está tão próximo.

O olhar é mágico. Os olhos sempre me chamaram atenção. Um misto de excitação, medo e fascínio. Mais que os olhos, os olhares. O brilho do olhar entrega o que é uma pessoa.

Mas podemos treinar o olhar. Muitas vezes olhamos, mas não vemos. Passamos corrido, sem dar a devida importância. O essencial é invisível aos olhos? Ou é preciso mudar o olhar?

Se for preciso mudar sempre para continuar a ser o mesmo, talvez seja preciso mudar sempre o olhar para ver mais longe.  Li esses dias que as gerações mais novas estão desenvolvendo uma melhor visão para perto, em virtude da vida atual onde lemos muito em notes, tablets e celulares sempre colados ao rosto e com letras pequenas. Porém o mesmo estudo aponta que essas gerações estão tendo dificuldade de enxergar longe... É, ótima metáfora para pensarmos! Facilidade para ver próximo mas não o próximo. Dificuldade para ver ao longe.

Desafie-se a olhar com outros olhos o que vê todo dia, mas não enxerga. Isso me lembra de  Amelie Poulain. Entre na brincadeira.

Desde um passeio como turista pelo centro de sua cidade, passando por aqueles cantos de sua casa, até aquelas pessoas pelas quais passa diariamente sem saber se quer o nome. Olhe, enxergue, veja!



·       *  A fotografia foi tirada no Museu Júlio de Castilhos/POA esse ano quando busquei ter um olhar de turista em minha própria cidade. Na foto a motocicleta do José Ferreira da Silva (mensageiro da amizade). Gaúcho que no final dos anos 1960 deu uma de Che (diário de motocicleta) e resolveu viajar o mundo de lambreta. Uma viagem pode fazer você mudar o olhar!